hot queijim

O seu guia sincero de Palmas

Eu voltei

Skyline de Palmas(Se desligar o celular não tem como tirar essas fotos quando tá pousando. Foto: @andy_other)

O Hotqueijim nasceu do meu desejo de levar informações com leveza e consistência sobre o que fazer pra se divertir numa cidade como Palmas e também no estado do Tocantins. Acostumado com o desconhecimento das pessoas de fora sobre a região, dedico esse espaço pra mostrar que aquela ideia de que por aqui só tem índio e floresta é tão equivocada e ultrapassada quanto a crença gringa de que a capital do Brasil é Buenos Aires. Superem!

O jornalismo regional também tem sua parcela de culpa. Embora alguns veículos de comunicação abram espaço pra agenda cultural, essa área não é tratada como prioridade. Dê uma olhada nos principais jornais e portais de notícia e perceba que o que domina é a política (no Tocantins, esse circo é completo…). Porém, em tempos de Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (sim, Palmas terá evento mundial em 2015), isso precisa mudar.

Atualmente, a grande maioria dos veículos tem feito papel de agenda cultural, o que já é alguma coisa, mas é só o mínimo, gente. Crítica sobre algum evento aqui e ali, é excepcional e eu particularmente não gosto da forma quadrada como os textos são feitos. Whatever… o que quero dizer é que aqui no Hotqueijim você lerá até um palavrão ou outro.

Portanto, se você está em busca de um espaço que se preocupa com a qualidade do seu rolé, acompanhe as dicas.

Quando mulheres tocantinenses se encontram para discutir trabalho e gênero

Um fato triste sobre o Tocantins é Estado ocupar o desonroso 12ª lugar no ranking nacional de violência contra a mulher conforme os números de um relatório do Senado publicado em 2013. De acordo com o documento (leia aqui), em casos extremos, a cada cem mil mulheres tocantinenses, 5 morrem em decorrência desse problema social. Curiosamente, Palmas está abaixo da média nacional e é a última colocada da lista das capitais brasileiras com 1,7 assassinato por cem mil. A verdade é que esse número, como em qualquer pesquisa que mede o comportamento humano, não corresponde à realidade.

Na prática já é de conhecimento geral (ou assim espero!) que o número de mulheres vítimas de violência de seus parceiros, parentes ou mesmo desconhecidos é muito mais alto do que podemos imaginar. Certamente uma das causas é o machismo, um problema cultural impregnado na sociedade brasileira que ultrapassa classes sociais, instituições, mercado e todas as outras esferas de poder.

Essas e outras discussões, que deveriam ser frequentemente pauta da mídia local e regional, ganharam espaço num ambicioso evento organizado pelo coletivo Dina Guerrilheira, grupo vinculado ao Centro de Direitos Humanos de Palmas. O Encontro das Mulheres Trabalhadoras do Tocantins aconteceu entre os dias 22 e 24 de novembro, no distrito mais legal de Palmas, Taquaruçu, com atividades culturais, exposição de trabalhos e, principalmente, a discussão sobre a relação da mulher com o trabalho.

A Inajara Nunes, amiga minha que faz parte das lindas e super poderosas DINAS, me convidou como voluntário pra fazer umas fotos e o que mais minha imaginação permitisse durante o encontro. Como sou historicamente adepto da causa das mulheres aceitei na mesma hora e ainda convidei mais pessoas pra participar. Diluído entre os participantes de diversas regiões do Tocantins, que não eram apenas mulheres, fiz umas fotos e, abaixo, você confere uma seleção de imagens de crianças, idosas, jovens mulheres, palestrantes, rapazes, policiais, transeuntes desavisados, etc, transformando a Praça dos Girassóis e o Colégio Duque de Caxias.

Encontro de Mulheres Trabalhadoras do TocantinsEncontro de Mulheres Trabalhadoras do TocantinsEncontro de Mulheres Trabalhadoras do TocantinsEncontro de Mulheres Trabalhadoras do TocantinsEncontro de Mulheres Trabalhadoras do TocantinsEncontro de Mulheres Trabalhadoras do Tocantins
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Movimento pela vida onde a vida se movimenta um pouco mais devagar

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Sei que sou sempre suspeito ao falar de Taquaruçu, mas acho que sempre deixo minha parcialidade muito clara no que escrevo. Tenho uma professora que, recentemente, durante um congresso nacional de comunicação, brincou ao fazer uma crítica sobre o distrito na minha presença ao pedir pra eu tapar os ouvidos antes de comentar. Compreendo que existem muitos problemas e recentes relatos de violência em redes sociais (já que a mídia convencional nem sempre cobre o assunto) estão aí pra mostrar que o paraíso de paz e tranquilidade total não contempla todo o extremo sul de Palmas. Mas os melhores eventos, que podem ser definidos em qualquer coisa fora da mesmice de bares, boates, ou seja, qualquer ambiente fechado, acontecem lá. Um bom exemplo foi o 14º Movimento Pela Vida que durou foi do dia 27 a 29 de setembro e reuniu pessoas interessadas numa onda mais espiritualista e ecológica, digamos.

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Sem muitas impressões pré-concebidas resolvi comparecer no domingo passado (29), pra apenas dar olhada no que consistia a onda toda e voltar pra casa antes do almoço, mas a verdade é que encontrei bem mais do que esperava e só fui chegar em casa por volta das 20h! A diversidade de “ofertas espirituais zen” fora do eixo cristão católico/protestante tem fortes tendências para algo kitsch e forçado, mas não foi o que encontrei ali, embora também acredite que algumas pessoas que levam a coisa dessa forma estivessem presentes. Confesso que só fui acordar que o Movimento Pela Vida tinha direcionamento “religioso” quando um amigo que encontrei me perguntou o que eu tinha ido procurar ali. Fui por curiosidade mesmo e se tive alguma experiência espiritual destacaria a água razoavelmente fria, “borboletas gigantes” e algumas músicas tocando num smartphone no meio do mato, literalmente.

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Voltando ao evento, meu ceticismo se diluiu quando cheguei na Escola Municipal Crispim Alencar (também tinham atrações na Casa do Artesão) e me inscrevi pra uma consulta com um cartomante famoso, indicado pelo mesmo amigo que perguntou o que eu procurava espiritualmente. O problema era esse cartomante ser muito disputado, tipo com uma lista de pessoas ainda do dia anterior pra atender. Ou seja, não rolou. Em compensação, fiz uma massagem maravilhosa com um trio (chorei ao perceber que perdi nomes e telefones pra contato) e quase não levantei da maca no anúncio do fim da sessão.

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Outra parte interessante do evento foi que a organização disponibilizou uma van pra levar os participantes pra um almoço em outro colégio de Taquaruçu. Esse momento me proporcionou a experiência da carne de soja (que me causou indiferença). De sobremesa melancia combinando perfeitamente com o calor infernal das 13h. Tirando a parte em que fiquei com fome poucos minutos depois, a comida estava ótima e era de graça.

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Pra variar, esse tipo de evento movimenta circuitos mais alternativos de cultura na cidade de Palmas e imediações, mas não me pareceu ter um publico tão numeroso. Seria isso motivado pelo fato da cidade (do Estado, País, etc) ter uma forte influência contrária a uma parada mais mística? Caso seja, não passa de uma imensa bobagem. Afinal, e se existir mesmo toda essa história de céu e inferno, as pessoas serão cobradas na porta porque frequentaram determinada denominação (como vejo muitos espalhando por aí) ou por simplesmente desejar e fazer bem ao próximo? Bom, não posso negar que Taquaruçu tem o poder de despertar uma conexão mais subjetiva e espiritual com toda aquela natureza que nos lembra que já fomos e que um dia seremos novamente grãozinhos de areia.

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Se sete copas é um bar de alunos o Degusta Som é de professores

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O título desta crítica não passa de uma zoeira, mas o fato é que, numa bela noite de sábado e eu empolgado pra conhecer um raro lugar inédito, encontro uns professores meus querendo relaxar do clima de fim de semestre, suponho, no lugar que é a novidade da agradável Praça da Árvore: o Degusta Som. No entanto, apesar da junção de públicos curiosos (ao menos na ocasião), o bar peca em alguns quesitos, mas, caso mantenham e melhorem a estrutura, pode se consolidar nos períodos de seca. Ele não é como um 7 Copas da vida onde não há tempo ruim, mas oferece opções de comida razoáveis com um som ambiente que foge do sertanejo uó que domina 80% dos estabelecimentos de Palmas.

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O impasse inicial do Degusta Som é que o estacionamento não se mostra coerente logo de cara e você corre o risco de passar pelo lugar errado e dar uma volta maldita até chegar ao retorno da Avenida LO – 4, quase na Praça dos Girassóis. Mas ok, nem a população, nem o comércio deve se curvar a esse planejamento urbano ignóbil e usar/fazer os tantos gatos urbanos (passagens improvisadas pra veículos e pedestres) até que um gestor competente arrume essas porra. Assim, o bar conta com um estacionamento de improviso que estava muito bem adequado à quantidade de pessoas que recebe, a não ser quando começarem a fazer shows.

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No quesito atendimento, o Degusta Som está preparado para o básico, embora o cardápio prometa um pouco mais do que de fato oferece. Os garçons nem sempre são ágeis caso opte por se sentar numa mesa mais afastada. Pedimos espetinhos (R$12 cada), momento em que lidamos com o primeiro vacilo (não tinha de queijo!), pois chegaram com uma demora não muito diferente do que se encontra na maioria dos estabelecimentos palmenses, mas essa novela prestação de serviços é muito antiga. Por fim, comi um feijão tropeiro excelente, mas acompanhado de mandioca e vinagrete inferiores ao do Por do Sol, por exemplo.

Ao ir embora, minha impressão sobre o Degusta Som foi de que, finalmente, a máquina que move o mundo dos espetinhos palmenses resolveu variar em aspectos fundamentais: música boa o tempo inteiro! Os problemas de estrutura são a parte mais preocupante, principalmente pela falta de cobertura, o que quer dizer “salve-se quem puder” quando a chuva e o vento começarem em breve. Mas, em meio ao tédio escaldante de todo santo dia, é um oásis desde que se vá de carro, pois pra chegar aos pontos de ônibus úteis após as 22h mais próximos, o caminho é longo!

Obs: depois vou perguntar aos outros professores presentes o que acharam do lugar já que é tão raro vê-los frequentando os points “alternativos” da cidade.

O 7º Festival Gastronômico de Taquaruçu deixou nostalgia no melhor sentido da palavra

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Foto: Anderson de Souza

Voltava pra casa depois de uma segunda-feira cansativa e, ao parar pra esperar a linha pra Taquaruçu encontrei uns conhecidos que moram no distrito. O principal assunto? O 7º Festival Gastronômico de Taquaruçu e como o evento transformou o distrito levemente boêmio aos fins de semana no ponto de Palmas pra onde as pessoas foram pra serem felizes sob um clima mais humanamente suportável. Ah, e verdade seja dita, a Maria Gadhú não foi a grande salvadora da noite.

No sábado, dia mais badalado do festival, já se falava com razão da dificuldade que as pessoas enfrentariam pra chegar a Taquaruçu caso demorassem pra subir a serra. De certa forma enrolei um pouco e, ao chegar num ponto de ônibus da Avenida Taquaruçu na altura de Taquaralto, às 19h, já encontrei umas pessoas meio putas porque o ônibus não passava há pelo menos 40 minutos. Otimista que sou, não me deixei abalar e pouco depois um veículo completamente lotado (daqueles que você não ultrapassa a catraca tão cedo) dobrou a esquina da Praça da Matriz.

Claramente o transporte público não funcionava na mesma vibe das pessoas (se bem que vi um veículo circulando a praça principal de Taquaruçu por volta das 2h, mas quem estava na rua naquela hora e naquelas redondezas não queria ir embora). Assim, vamos assumir que a “melhor” maneira de chegar ao festival era mesmo ir de carro, mas não a melhor opção. Não foi bolado um esquema de ônibus eficiente, que permitisse que a maior parte do público usasse o transporte coletivo evitando assim o congestionamento. O festival perdeu público por conta do vacilo.

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Primeiros raios de sol do dia vistos do centro de Taquaruçu. Foto: Anderson de Souza.

De modo geral, ninguém de espírito aberto, além de “famílias felizes”, precisava voltar pra casa antes das 8h do dia seguinte. Solução não faltava, bastava se jogar em algum dos campis que estavam rolando antes de dar PT. Melhor dar PT seguro, numa barraca ou toalha estendida sob o mato do que guiando um veículo em alta velocidade nas curvas da serra. Conheci algumas pessoas que morreram naquela estrada e é sempre bom lembrar desse importantíssimo detalhe.

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A melhor tática pra comer era escolher bem a barraca em que se iria comprar porque as filas nem sempre estavam fáceis de serem enfrentadas. Mas valia a pena. Foto: Anderson de Souza

Voltando a cronologia dos fatos, ao chegar, por volta das 20h, na praça onde o evento foi concentrado já tinha muita gente. Os grupos se dividiam entre aqueles que lotavam as filas das barracas de comida (aliás, tinham coisas muito boas a preços razoáveis), aqueles que de certa forma se isolaram nos quiosques cercados (com leves toques de apartheid), aqueles na comissão de frente perto do palco e, finalmente, os vários grupos jogados na grama. O Augusto Brito, um amigo que trabalhou na organização disse que já no início da noite de sábado o recorde de público tinha sido quebrado. E olha que fiquei sabendo de muitas pessoas que desistiram e voltaram no meio do caminho ou continuaram a noite em algum dos muitos bares da região de Taquaralto. Outros conseguiram chegar mais tarde. Ainda de madrugada tinha gente sedenta por diversão – deve ser o magnetismo “místico” exercido por Taquaruçu.

Nem vou me alongar no que aconteceu no show porque não teve nada demais. Maria Gadhú tem seus fãs e não sou um deles. Pra mim, ela é do tipo de cantora que não agride e nem ofende. Sem sombra de dúvidas o melhor do festival não foram os shows. Mas vamos combinar que a escolha da artista pode ter sido responsável por deixar o ambiente mais diversificado no melhor sentido.

Quando a “programação oficial” na praça deu sinais de fim, as pessoas rumaram em procissão pra várias direções. Tinha festa have numa chácara, after no Mandala e show no Canto das Artes. Estive em todos esses lugares, uns mais rapidamente que outros, entrei apenas no Canto só lá pelas tantas porque as ruas e calçadas estavam muito mais vibrantes e as entradas estavam sendo cobradas até pelo menos às 3h (hora essa em que as festas ainda estavam longe de terminar). Assim, o saldo mais positivo do 6º Festival Gastronômico de Taquaruçu foi à concentração de gente pouco perceptível nas ruas estéreis de Palmas nos dias normais da semana. O público também ganhou muito com a totalidade de opções na programação, tanto oficial quanto independente/paralela num ambiente aparentemente seguro.

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O Campi do Magoo reuniu pessoas diversas que participaram das várias atrações durante a manhã, tarde, noite e madrugada. De longe o mais badalado. Foto: Anderson de Souza

Nada melhor do que simplesmente caminhar pelas ruas movimentadas com seus amigos antes das primeiras luzes do dia surgirem no horizonte, acima da serra. Nada melhor do que perceber que quase todos à sua volta, seja num acampamento, seja num ponto de ônibus às 8h, tiveram uma noite maravilhosa em Taquaruçu. Que se repita ad infinitum.